PROTESTO NO MS
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| Foto iliustrativa |
Assembleianos
vão às ruas após decisão judicial que proibe cultos
Cantando louvores e
protestando contra a decisão judicial que proibiu a realização de cultos na
Igreja Evangélica Assembleia de Deus (Ministério Belém), evangélicos de várias
congregações de Corumbá (MS) se uniram em uma carreata que reuniu pedestres,
motocicletas e carros.
O protesto foi organizado
pela diretoria da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, que também coletou
assinaturas dos participantes da mobilização. A carreata saiu de frente da sede
da igreja, na rua Cabral, por volta das 14h30 e percorreu as principais ruas da
área central, como Frei Mariano e a Avenida General Rondon.
"A Igreja Assembleia de
Deus se sente apoiada pelo número de manifestantes que estiveram presentes em
nossa carreata. Estamos nos mobilizando contra a decisão judicial que proibiu
os cultos em nossa igreja. Nada em nossa igreja está funcionando, está tudo
fechado. Nós questionamos: hoje, a proibição foi em nossa igreja, e amanhã,
onde será? Nos sentimos ofendidos com essa decisão judicial.
Essa atitude tomou proporções
internacionais. Estamos recebendo apoio e outras manifestações de várias partes
do mundo, estamos recebendo um grande apoio", afirmou ao Diário o pastor
da Igreja Assembleia de Deus (Ministério de Belém), João Martins.
A sentença judicial, do juiz Vinicius Pedrosa
Santos, titular da 3ª Vara Cível de Corumbá que impede os cultos na
congregação, deve-se a uma ação ingressada por uma moradora da vizinhança que
se sente prejudicada pelo som alto, classificado pela mesma como
"ensurdecedor" durante os cultos realizados no local. A moradora
relatou na ação judicial que, desde que obras de ampliação da fachada do
recinto religioso começaram, há cerca de dois anos, vem sofrendo com o som alto
proveniente dos encontros religiosos. Ela afirmou que, antes de recorrer à
Justiça, buscou a solução do problema com os representantes da Igreja em
questão, com o Ministério Público Estadual e com a Polícia Militar, porém
"não obteve êxito". Caso a Igreja descumpra a decisão, datada do dia 05
de março, receberá uma multa diária de R$ 500.
A Assembleia de Deus, por sua
vez, conforme o pastor João Martins, através do departamento jurídico, já
ingressou com pedido de liminar no Tribunal de Justiça do Estado contra a
decisão. "Acreditamos que essa semana já iremos receber a decisão do
desembargador. Na terça-feira, 13 de março, a Assembleia Legislativa de Mato
Grosso do Sul também estará realizando uma manifestação contra essa liminar
expedida por esse magistrado", ressaltou o pastor. Se a proibição aos
cultos for mantida, o pastor enfatizou que novas manifestações ocorrerão.
"Vamos recorrer com todos os recursos possíveis para ter o direito livre
aos cultos novamente", garantiu.
A decisão
Em sua decisão, o magistrado
lembra que a Igreja "é obrigada, por força de lei municipal, a respeitar
os limites de decibéis máximos em seus cultos ocorridos em ambiente
residencial. Se ultrapassar é inarredável instalar no local, equipamentos
suficientes para impedir que o excesso não atinja o exterior, tampouco cause
danos aos vizinhos".
Fotografias foram juntadas
aos autos do processo comprovando que não existe nenhuma barreira acústica no
local. O juiz ainda baseou sua decisão na jurisprudência e literatura jurídica
e faz observações quanto à liberdade de culto religioso registrada na
Constituição Federal.
"A liberdade de culto
não autoriza a poluição sonora pela Igreja Evangélica Assembleia de Deus
(Ministério Belém) e, uma vez atingida de modo desrespeitoso a individualidade
da demandante, pessoa idosa que não tem sossego no seu próprio lar pelo barulho
‘ensurdecedor', como ela mesma fez referência na inicial, não há outra solução
senão a de impelir a demandada a se adequar às normas ambientais e cessar,
consequentemente, o dano à pessoa desta".
O pastor e 2º vice-presidente
da Igreja Assembleia de Deus rebateu a decisão. Segundo ele, a medida causou
surpresa, já que, há cerca de 45 dias, a Igreja assinou um TAC (Termo de Ajuste
de Conduta) com o Ministério Público, visando a adequação no templo. "O
que foi acordado entre Ministério Público, Igreja e vizinha não foi cumprido. A
vizinha não esperou o Ministério Público e já entrou judicialmente na Comarca.
O juiz recebeu a petição com pedido de antecipação de tutela, não fez nenhuma
perícia no local, não consultou a igreja; não houve perícia técnica com pessoas
capacitadas no horário e dias certos de cultos", afirmou ao classificar a
decisão como um "ato arbitrário". Diário Online
O pastor João Lucas Martins
relatou que considera "discriminatório" trecho da sentença judicial.
"O que estamos discordando não é da vizinhança abrir mão dos seus
direitos, o que não concordamos é a forma que a situação foi tratada pelo juiz
em dizer - não são palavras minhas, mas o que está escrito na decisão - ‘que é
praxe das igrejas evangélicas colocarem às alturas seus equipamentos de som,
seus discursos e causar um efeito nocivo à população'. Quer dizer, um caso
isolado da Igreja Assembleia de Deus, acabar atingindo toda a comunidade
evangélica", concluiu.

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