terça-feira, 13 de março de 2012

Seca


SC tem 100 municípios em emergência pela estiagem.

Foto ilustrativa



As perdas no Estado já somam R$ 549 milhões segundo levantamento do Centro de Socieconomia e Planejamento Agrícola (Cepa) da Epagri. O gerente do Cepa/Epagri, Ilmar Borchardt, disse que as perdas no milho já estão praticamente consolidadas. Mas esse número pode aumentar nas lavouras de soja. Ele afirmou que as perdas são mais acentuadas no Oeste, mas que já avançou até municípios próximos a Lages.
Os maiores prejuízos são nas lavouras de milho e soja. A safra de milho, por exemplo, deve ser a menor do estado desde 2006. Isso acarreta uma série da prejuízos em cascata. Isso porque aumenta o déficit de milho do estado, que deve chegar a dois milhões de toneladas. Na avaliação do presidente da Companhia Integrada para o Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri, a estiagem tira a competitividade da agroindústria catarinense, inibe investimentos no estado e aumenta o custo dos alimentos para o produtor. –Os R$ 549 milhões são irrelevantes perto dos outros prejuízos que acarretam- calculou. Barbieri disse que a necessidade de trazer milho de outros estados aumenta o custo de produção de aves, suínos e leite. Isso aumenta também o custo dos alimentos para o produtor. A saca de arroz aumentou de R$ 20 para R$ 27. A saca de soja, que estava em torno de R$ 40, foi para R$ 47. E o milho, que deveria estar em torno de R$ 20 a saca, está em R$ 24 a R$ 25. Bom para quem consegue colher. Mas o produtor que perde com a estiagem tem menos produção para aproveitar essa alta.
O presidente da Cooperativa Regional Alfa (Cooperalfa), Romeu Bet, estima que deverá comprar cerca de dois milhões de sacas de soja de outros estados para atender a necessidade da indústria de óleo e farelo de soja. Normalmente a cooperativa recebe seis milhões de sacas. Bet disse que a busca de soja de fora aumenta os custos. Além disso a estiagem acaba interferindo no faturamento. Outro impacto é a venda de menos insumos, já que o produtor deve reduzir investimentos na lavoura.
Ele afirmou que enquanto produtores do Planalto Norte tem uma safra normal, no Oeste há perdas até superiores a 50% na lavoura de soja.
O secretário de Agricultura de Santa Catarina, João Rodrigues, afirmou que a estiagem acaba impactando também no comércio. –Os agricultores vão deixar de trocar o carro e fazer outras compras- explicou. É um efeito em cascata em que todos perdem um pouco.

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